domingo, 31 de dezembro de 2017

Posso?

Olho pro tempo e vejo tudo em mutação
Ontem chovia forte e hoje faz sol
O que era frio inverno hoje é verão
Crepúsculo aurora e arrebol

Essas nuvens não param de correr
Por dentro dos meus olhos junto à mágoa
Como se fosse um filme na tv
Onde o tudo o que eu sinto em vão deságua

O sentimento não é triste nem contente
Mas é forte e me faz mais forte ainda
Faz parte de ser vivo, de ser gente,
E ter voz pra cantar assim: Bem-vinda

A vida que te fez ser mãe e filha
Do tempo que renova a cada instante
O pensamento, o tempo e a própria vida
E que a faz mais sentida e delirante

Todas canções lindas que não cantei
São como sementes ou mentos do paraíso
A ambrosia e o néctar de Zeus
Os cantos e encantos meus e seus

A palheta que eu coloquei
No meio dos meus documentos
Faz os outros cantos ciumentos
Desse dom, doce ou petardo

Dom quixote pela estrada
Enfrentando moinhos de gente
Com a afiada espada de vento
Das minhas ébrias palavras

Dulcineia em sua beleza despreza
A beleza maior da minha alma
Ela é uma linda princesa
Eu a vejo em minha palma

Dom Quixote entre os macacos
Pode parecer ridículo
Faz a caixa toda em cacos
Não quer ser mico de circo

Você com seu jeito de cristalina
Fonte de vivência e energia
E uma coisa mais fina
Que não sei nomear

Me fala que a música
É uma forma divina
Uma espécie de musa
Pra gente transmutar

As emoções baixas
E tudo que distorce
E aquilo que não se encaixa
Uma espécie de código morse

Ou sinais de fumaça
Letras piscando em neon
Ou um código/cidade/traça
Em todos os sentidos desse semeion

Mas eu que sou um simples
E completo ser que finge que é
Humano e que somente sinto
A música da cabeça aos pés

Quando a ouço só sei dizer
Pra você que a música e tudo
Mais que ouço quando olho
Pra ela/você, é isso, é tudo que posso dizer

Sereia
Sereia
Sereia
Sereia

Sereia
Sereia
Sereia
Mulher       

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